Para muitos gestores de organizações sem fins lucrativos, marketing é igual a angariação de fundos. Mas as organizações existem para além da angariação de donativos.
Utilizando os métodos do marketing social, podem impulsionar a eficácia de programas ou das actividades que são a razão de existência da organização – fazer a diferença.O marketing social usa as mesmas ferramentas e técnicas do marketing comercial, mas com o objectivo de motivar alterações em termos sociais e de saúde. O ponto fundamental do marketing social é a mudança de comportamento.
O marketing social como aqui se descreve é diferente da forma que é utilizada por blogues ou na internet para caracterizar o marketing de redes sociais.
O conceito de marketing social existe há mais de 25 anos e é utilizado para referir temas como o planeamento familiar, a prevenção do HIV ou do cancro da mama.
Quando se desenvolve um programa de marketing social, são considerados os mesmos elementos do marketing mix comercial. Contudo
o marketing mix social deve ser ajustado tendo em conta a natureza única dos produtos e os ambientes em que trabalham.
Como é o marketing mix social e como é que se diferencia dos 4 p’s que o marketing comercial utiliza?
1. ProdutoO produto de marketing social não é, geralmente, um produto tangível, embora possa ser (por exemplo preservativos).
Normalmente, o marketing social tenta vender um comportamento específico. Enquanto podemos promover um hábito que melhore a qualidade ou que salvaguarde a saúde individual, a maioria das vezes as pessoas resistem a alterar os seus comportamentos – comer mais fibras, consumir menos água, fazer exercício físico, fazer uma colonoscopia. Para abordar estes temas o marketing social utiliza as mesmas ferramentas que o marketing comercial para promover produtos (comportamentos) benéficos, baseando-se nos valores de um determinado público-alvo. Mostrando que a utilização desse produto (comportamento) poderá ajudar a tornar-se a pessoa que pretende ser.
2. PreçoEmbora adoptar o produto (comportamento) possa ter um custo monetário,
as considerações de preço mais importantes são os custos sociais e emocionais. Estes incluem o factor dor de cabeça de executar o comportamento, tempo, embaraço, privação de algo que gostem, medo de encontrar um problema médico, ou a desaprovação social. A questão estratégica é descobrir como reduzir o preço tanto quanto possível e tornar fácil e livre de stress a execução do comportamento pretendido.
3. Place/LocalComo disponibilizar o produto? Por outras palavras,
como e onde podem as pessoas executar o que lhes pede? O conceito de abertura é relevante aqui; assim como a lente da câmara fotográfica abre e fecha muito rapidamente para permitir que a luz capture uma imagem, há apenas uma pequena janela de oportunidade, para passar a mensagem, para que o público-alvo possa agir. O seu potencial alvo não sairá da sua rotina diária á procura das suas mensagens – é necessário
ir ter com eles e oferecer a oportunidade de aprender facilmente sobre o produto e a execução do comportamento.
4. PromoçãoAs abordagens promocionais do marketing social não diferem muito das utilizadas pelo marketing comercial.
Uma diferença chave pode estar no tipo de público-alvo abordado. Muitos serão o tipo de consumidores que uma empresa nem sequer consideraria como público-alvo, podem ter um rendimento baixo, incapazes de falar o português, difíceis de encontrar, e/ou sem qualquer interesse em mudar as suas vidas. Quem lida com estes temas deve ser muito criativo na forma como promove os produtos para públicos-alvo difíceis de atingir
E atendendo aos desafios inerentes a estes programas de marketing social, aqui ficam mais 4 p’s a juntar ao tradicional mix de marketing social.
5. PúblicosAo planear e gerar uma campanha de marketing social devemos
ter em conta as pessoas que podem afectar o sucesso do programa, como os públicos externos – o público-alvo, grupos que influenciam o público-alvo, políticos, meios de comunicação social e outros fora da organização. Tão ou mais importante é o facto de que devem envolver-se os públicos internos na execução da campanha. As pessoas dentro da organização – da direcção à recepcionista que atende os telefones e precisa saber o que fazer quando alguém ligar em resposta à campanha.
6. ParceriasMuitos temas de marketing social são tão grandiosos que uma organização não os pode enfrentar sozinha.
Encontre parceiros potenciais (outras organizações, entidades governamentais e empresas) que possuam um ou mais das seguintes particularidades:
- objectivos similares ao seu;
- acesso ao público-alvo;
- credibilidade junto do público-alvo;
- interesse em patrocinar a campanha;
- ou recursos para preencher as lacunas nas capacidades da sua organização.
7. Politica
Políticas governamentais ou comerciais podem servir como catalisador na mudança social em larga escala. Quando determinadas políticas são postas em prática, fornecem um ambiente favorável no apoio a determinados comportamentos, os indivíduos tornam-se muito mais susceptíveis de sustentar essa mudança de comportamento.
Por exemplo, trabalhar num local com politicas sem fumo torna mais fácil que os fumadores deixem o vício.
8. Património – Orçamento de marketing
Ao contrário das empresas, muitas organizações sem fins lucrativos não são capazes de retirar automaticamente uma percentagem das suas receitas para actividades de marketing. O marketing social deve ser criativo e proactivo na busca de financiamento para as campanhas utilizando fontes como parceiros empresariais, fundações, doações e entidades governamentais.
Use o marketing mix social para ir além da angariação de fundos, use o marketing para criar impacto na vida das pessoas que envolvem a sua organização.